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Iroqueses

Os iroqueses (em inglês e francês: Iroquois, pronunciado irocuá) históricos foram um grupo nativo americano que viviam em torno da região dos Grandes Lagos, prim ariamente no sul do Ontário, uma província do Canadá, e no nordeste dos Estados Unidos da América.

Os iroqueses de antigamente eram primariamente nômades. Os iroqueses, até o século XVII, formavam o que é atualmente chamado de Nação Iroquesa. Atualmente esta nação indígena é composta pelos povos Seneca, Cayuga, Onondaga, Oneida, Mohawk, Tuscarora, formando uma confederação distribuida entre o Canadá e os Estados Unidos (principalmente no estado de Nova Iorque e na província de Quebec).

Os Iroqueses foi estudado pelo missionário jesuíta Joseph-François Lafitau, no século XVIII, que chegou a conviver com esse grupo. Sua obra, Mœures des Sauvages américains comparées aux mœurs des premiers temps, publicada em 1724, descreve os princípios básicos da sociedade Iroquese em relação ao fato desta ser matriarcal e matrilinear, onde o papel da mulher na família e na sociedade tem uma força dominante. Lafitau abordou também os ritos de casamento, os jogos, lazer, doenças, enterros, língua, caça, educação e a divisão de trabalho entre os Iroqueses, enfocando seus estudos na religião. Para ele, os Iroqueses possuíam a sua religião (diferentemente de pensadores anteriores, que afirmavam que os índios não tinham religiões alguma), embora esta não fosse tão bem organizada quanto à religião Católica. Diz que os Iroqueses, embora possuísse religião, eram desprovidos de leis e políticas. Mostra, também, que a religião dos nativos, na verdade, deturpa o que ele considera como sendo a verdadeira religião: o Catolicismo.

Ao estudar os Iroqueses, Lafitau distinguiu características positivas (como a coragem) e negativas (como vingança e cobiça), inovando ao utilizar o método comparativo (embora não o tenha inventado) ao comparar os Iroqueses aos heróis de Homero (na comunidade científica européia da época, idealizavam os gregos e romanos devido à busca pela perfeição). Nesse sentido, Lafitau enaltecia os Iroqueses, ao dizer que as construções náuticas desses povos eram parecidas, mas também os denigria, afirmando que a brutalidade dos heróis de Homero não se distinguia da ferocidade dos Iroqueses, ferocidade esta que ele considerava como sendo inata. Mesmo assim, a importância se deu pelo fato de que Lafitau deixou os nativos mais humanos, diferentemente de pensadores anteriores (como Mandeville) que assemelhavam os nativos a monstros.